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O país da hipocrisia

23/02/2006

Estamos tão acostumados, por razões históricas e culturais, a lidar com a burocracia em nosso país e a olhar tudo sob o ponto de vista formal que temos muita dificuldade de encarar a realidade e os fatos.

Há discussões jurídicas sobre a verdade formal e verdade material! Ora isso é um contra-senso. Diante de fatos e dados só existe a verdade material. Para mim a verdade formal que não corresponda à verdade material ou é mentira ou é hipocrisia.

Vivemos um paradoxo em nosso país, que é muito burocrata, no que tange a fatos jurídicos (latu sensu), porque nossas instituições tratam os cidadãos em face de comprovações documentais e carimbos, contudo lidamos com uma economia informal somente comparada a países que vivem em estado de caos institucional.

Quando falamos de PIB, carga tributária, emprego etc para analisarmos nosso país como um todo, estamos na verdade falando apenas de metade do país porque a outra metade, praticamente, vive na informalidade. Isso é um contra-senso.

A maior responsabilidade por essa situação cabe aos governos que tem competência para tributar uma vez que já é mais do que sabido que uma carga tributária alta empurra as atividades econômicas para a informalidade. Mas tratamos isso como se fosse uma exceção, um desvio, um crime. Ora isso é quase 50% de nossa economia. Olhar esse quadro apenas como um desvio de conduta de nossos empreendedores é miopia ou hipocrisia.

Os dirigentes de nossas instituições estão acostumados, talvez até treinados, para mentir ou serem hipócritas, em especial aqueles ligados à área tributária quando trazem as reformas ou justificativas acerca de algum instituto tributário sempre com o discurso de simplificação e redução mas com a realidade de complicação e aumento da carga. Atitudes e discursos vêem travestidos de fé pública mas com conteúdo falso ou maculado de expedientes ilegais para garantir arrecadação.

Ora se há problemas com o sistema legal de arrecadação que afeta a sociedade como um todo, porque uma instituição que deveria ser exemplo de moralidade e de fé pública utiliza-se de expedientes ilegais para resolve-lo ao invés de levar essa discussão para a sociedade decidir sobre como deseja que isso seja tratado? Como esperar atitude íntegra e moral do cidadão se o governo é hipócrita.

O cidadão brasileiro que começa a tomar consciência de sua condição está ficando cansado de tanta hipocrisia. É preciso que comecemos a viver realidades no Brasil e não num mundo que não existe.

É preciso que a contabilidade de uma empresa espelhe efetivamente o seu negócio e o empresário tenha a tranqüilidade de que isso não será usado para elimina-lo do mercado pelo fisco que o consome vorazmente por três esferas e cada uma age como se existisse apenas a sua.

É preciso que os políticos apresentem contas de campanhas reais e quando pilhados em suas falcatruas não possam se utilizar de subterfúgios e muito menos do cinismo do “eu não sabia de nada”, “fui traído” ou ainda “a culpa toda é do tesoureiro”.

É preciso que o governo diga a verdade quanto a fatos e intenções quando se relacionar com a sociedade e aja de modo a que a formal fé pública se transforme em realidade e de fato possa gozar dessa credibilidade.

Infelizmente nossa cultura não privilegia a honra material, apenas a honra formal.

Certa vez me pergutaram: mas para que você persegue tanto a honra, a lealdade, a honestidade, a coerência? Para que serve isso? Você tem tido tantos problemas com essa postura?

Como essa resposta não estava pronta tive que fazer uma breve reflexão e me veio uma frase que se encaixava perfeitamente como resposta a essa indagação: eu gosto que acreditem em mim.

 

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