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Filhos - Márcia Bittar

Filhos

 

Às vezes fico pensando que só mesmo depois de ter um filho é que a gente consegue entender realmente o que significa a palavra amor!

 

Até o amor que nossos pais sentem por nós fica mais compreensível depois que vivemos a experiência de ser pais.

 

Comigo foi exatamente assim.

 

Com a chegada dos meus filhos me dei conta do amor dos meus pais, me dei conta de suas alegrias e angústias, sentidas em relação a nós, seus filhos.

 

Outro dia, lendo o livro “O Profeta”, do magnífico Kalil Gibran me deparei com a seguinte escrita:

 

“Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a Sua força para que Suas flechas se projetem, rápidas e para longe. Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria: Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável”.

 

Achei linda a imagem que o autor descreve. O arco que se dispõe a existir para lançar a flecha! A busca incessante pelo alvo certo. O curva-se para que o outro se vá, em busca de seus próprios objetivos.

 

Quando nascem e nos primeiros anos de vida, nós, pais, somos absolutamente indispensáveis aos nossos filhos.

 

Mas o tempo, que insiste em passar num piscar de olhos, quase que no instante seguinte nos mostra que eles cresceram, e voam em busca do infinito.

 

Porém, em meio a todas essas experiências, quantas perguntas nos fazemos: Será que foi o bastante? Será que fizemos tudo certo? Será que eles estão realmente prontos para esse vôo tão longo?

 

Acho que são dúvidas eternas. As respostas virão em forma de vida.. .absolutamente imprevisíveis!

 

A única certeza que temos é que tentamos, com a sincera e inabalável intenção de acertar.

 

Afinal, criamos pessoas, seres autônomos, com vontade própria, pensamentos independentes, pessoas capazes de fazer suas próprias escolhas! Às vezes nos decepcionam, nos contrariam. Outras vezes nos orgulham e nos fazem acreditar que acertamos de verdade.

 

Que bom seria poder olhar para nossos filhos, e ver neles só aquilo que nos agrada. Identificar neles só a parte boa de suas personalidades. Mas eles, como nós, são um misto de qualidades e defeitos e talvez por isso nosso amor se torne incondicional.

 

Amamos com o jeito próprio dos pais. Sorrimos e choramos sem muita explicação, sem nenhum porquê justificável... Simplesmente amamos, quase que involuntariamente!

 

Mas hoje, quando vejo que minhas flechas já foram lançadas ao infinito, não tenho dúvidas de que é esse amor que nos move, nos inquieta, nos faz crescer para continuar tentando acertar. É ele que nos torna melhores, que nos fortalece para continuar caminhando, sem esquecer que somos os arcos para nossos filhos, mas também somos flechas que foram lançadas por nossos pais! E assim... a jornada continua.

 

 

 

 

Márcia Bittar

 

agosto de 2011

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